14 June 2011

Aristides de Sousa Mendes


A comunidade Luso-Americana da Califórnia está a celebrar, no âmbito das comemorações do dia de Portugal, o septuagésimo primeiro aniversario sobre o acto de consciência do Sr. Cônsul Aristides de Sousa Mendes que, também, foi Cônsul em São Francisco nos anos 20 do Século passado.

Compreendo, bem, a razão de tal celebração pois, este Cônsul português, na altura (Junho de 1940) em Bordéus, com a ajuda da sua família, decidiu desobedecer ao Governo e salvou 30'000 refugiados, de todos os credos e nacionalidades, das mãos do Reich. Este 1) Católico e 2) Monárquico convicto respondeu da seguinte forma às ordens do Governo - "Se há que desobedecer, prefiro que seja a uma ordem dos homens do que a uma ordem de Deus"... nem mais...

Ora, com tal acção, foi obrigado a voltar a Portugal, foi castigado e impedido de trabalhar. A sua numerosa família teve que sobreviver da solidariedade da comunidade judaica de Lisboa. Na procura de um futuro melhor, 11 dos seus 12 filhos tiveram que emigrar, vários para os Estados Unidos, Califórnia, tendo, dois, participado no Desembarque da Normandia como militares americanos. Sousa Mendes morre, em 1954, na miséria. Por tudo, merece a nossa homenagem e celebração.

Também, compreendo que, em 1961, Sousa Mendes tenha merecido árvores no Museu Yad Vashem (Memorial do Holocausto em Jerusalém) e que tenha sido dado, em 1966, pelo mesmo memorial, o digníssimo título de "Justo entre as nações".

Por fim, compreendo que o Congresso dos Estados Unidos, em 1986, tenha feito uma proclamação especial honrando o acto heroico de Sousa Mendes.

Só mais tarde, em 1987, o Governo português decide homenagear Sousa Mendes e apresentar um pedido de desculpas à sua família. A demora estará ligada, certamente (não consigo pensar noutra razão), a alguma característica ou convicções de Aristides Sousa Mendes. De onde estou, vejo duas que possam explicar a demora dado quem normalmente governa Portugal…

Há mais diplomatas esquecidos - como o embaixador de Portugal em Budapeste, Carlos Almeida Sampaio Garrido, e o encarregado de negócios, Carlos de Liz-Teixeira Branquinho, que salvaram milhares de judeus do Holocausto.