12 June 2011

Guia de mudança Portugal - Londres



Neste momento são tantos os Portugueses a querer mudar para Londres (vá-se lá perceber porquê, as coisas em Portugal estão tão bem), que recebo com alguma frequência pedidos de conselhos sobre como planear a mudança de cidade, e especialmente sobre as diferenças do custo de vida. 


Portanto aqui vai um curtíssimo guia sobre as questões mais frequentes:


1. Arrendamento: em média o custo de um apartamento em Londres é 2 a 3 vezes mais caro do que em Lisboa ou 4 x do que o Porto. Os preços mencionados nas imobiliárias inglesas parecem baratos à primeira vista mas são valores por SEMANA (a primeira vez que me apercebi disto fiquei chocado). Desta forma um T2 numa zona nobre não custa menos de 300-500 libras por semana, ou 15-25 mil por ano. A este valor soma-se um imposto municipal que varia consoante o valor do imóvel, em média por um T2 é de esperar umas 1000-1500 libras por ano. Em zonas menos boas ou menos centrais podem encontrar-se apartamentos mais baratos, mas descobrir um T2 por menos de 250 por semana é muitíssimo complicado. Usem sites como o Zoopla ou o Findaproperty para pesquisar.

2. Educação: os ingleses costumam dizer que "não são os pais que escolhem a escola, é a escola que escolhe os pais". Este senhores são elitistas, e as escolas boas são fogo. Se as crianças forem para o ensino público não pagam, mas este tem flutuações de qualidade brutais. A somar a isso há a obsessão dos ingleses de hierarquizar socialmente as pessoas de acordo com os colégios onde andaram (pois, por alguma razão aqui ainda existe monarquia). Frequentar uma escola privada de elite tipo Eton ou Westminster é uma garantia para o resto da vida e dão acesso às melhores universidades. Nas melhores escolas privadas é também muito difícil entrar e não se paga menos de 15-20 mil libras por aluno por ano, por vezes mais. Isto varia bastante consoante a zona da cidade e a qualidade da escola. Por último, não é incomum os ingleses escolherem a zona onde moram consoante a qualidade das escolas da área (sim, eles levam isto mesmo a sério) e o site da Ofstead que contém um ranking das escolas por area é uma bíblia de todos os pais deste país.
O mesmo vale para as creches, com o problema adicional que as do estado são raras, más, e normalmente apenas a partir dos 3 anos portanto preparem-se para pagar 1000-1500 libras por mês por criança abaixo dos 5 anos.

3. Custo de vida: O supermercado não é substancialmente mais caro que em Portugal, mas os transportes publicos já são outra conversa: só o passe mensal para o centro de londres custa à volta de 100 libras (detalhes em www.tfl.gov.uk). Se optarem por morar longe do centro para pagar uma renda mais baixa, espera-vos a agradável surpresa de pagar muito mais pelo transporte (o passe zonas 1-6 custa 200 libras por mês). Por um bilhete de cinema é raro pagar-se menos de 10 libras e cada cinema pratica os seus preços: quanto mais popular ou perto do centro, mais caro o bilhete. Quanto a restaurantes há (mesmo) de tudo, a fama de Londres como cidade onde se come mal já lá vai, mas mesmo num italiano baratucho não se livram de pagar pelo menos 15-20 libras por pessoa, sem direito a vinho. A minha regra habitual é que o preço por refeição em Londres sai em média 3x mais caro que em Portugal, seja lá qual for o género de restaurante (tirando o sushi, que aqui é bastante mais barato).

4. Escolher o sítio para morar: o principal critério para se escolher o sítio para morar é o sítio onde se vai trabalhar. Londres é enorme, tão grande que se não se tiver isso em conta a vida torna-se uma interminável viagem de metro e comboio. Mesmo quem vem de Lisboa não tem ponto de referência para a dimensão da cidade, que pode demorar mais de duas horas a atravessar. Se sempre sonharam viver em Notting Hill mas o vosso local de trabalho é em Guilford, então esperem passar umas boas três horas por dia em transportes públicos (quase ninguém tem carro no centro de Londres).


5. Impostos sobre o rendimento: não são muito diferentes de Portugal, com a diferença que se paga muito menos segurança social, e de que existe uma taxa de 50% para rendimentos superiores a 150 mil libras por ano. Ao contrário de Portugal, em que a referência é sempre o salário mensal líquido, aqui a referência é o salário anual bruto. Experimentem o Tax Calculator para traduzirem esse valor bruto em líquido.


6. Encontrar emprego: praticamente todos os empregos podem ser encontrados online, em sites como o Monster.co.uk ou o Reed.co.uk. Ao contrário de Portugal, todos os anúncios dizem logo exactamente para que empresa é e quanto se ganha. Os salários finais são negociáveis.


7. Tempo: não é assim tão mau. A sério :-)


Este é um breve resumo. Se faltar alguma coisa, aceitam-se pedidos nos comentários.


Good luck!