17 October 2011

Lorosae

Recebi um convite para um projeto de 5 semanas em Timor Leste. Aceitei.

Aceitei, porque é novo desafio profissional, porque vou estar numa nova realidade, porque vou viver o dia-dia nessa nova realidade tal como se tivesse em Lisboa, com rotinas e hábitos diferentes, porque vou conhecer um novo país e porque são só 5 semanas.

Estou a 15.000 quilómetros de casa e oiço falar português. É uma sensação única.

Dá que pensar; como é que nosso país, que foi em tempos, uma das maiores potências mundiais, desperdiçou o empreendimento e engenho de grandes portugueses como D João II, Vasco da Gama, Infante D Henrique, Sebastião José de Carvalho e Mello, e outros tantos. Dá que pensar como foi possível chegar a este ponto em que batemos no fundo e tivemos tudo, ou quase tudo para estar no topo. Como os nossos políticos, geração após geração, hipotecaram o futuro dos nossos filhos.

Na semana passada passei pelo cemitério de Santa Cruz. No próximo dia 12 de Novembro, vão passar 20 anos desde o massacre. Lembro-me como fosse hoje, da onda de solidariedade de todos os portugueses; dos de esquerda e dos de direita, dos políticos e dos artistas, dos jovens e das crianças, e de todos aqueles que passaram aquela tarde de domingo em sete-rios, frente à embaixada Americana, com uma t-shirt branca em solidariedade com um povo reprimido. Eu estive lá. Naquela altura todos lutámos por uma causa. E ganhámos. Que sirva de exemplo para os tempos de incerteza que hoje vivemos.

Vou tentar, nas próximas 4 semanas, traduzir-vos o dia-a-dia deste povo tão esquecido e sofrido, mas que é feliz. Não pensa na dívida externa, no deficit do estado, na crise e no 14º mês. Para eles, cada dia é um dia a ser vivido, diferente e igual ao que passou, e onde o que importa é se a galinha pôs um ovo para o almoço do dia seguinte.

Para mim, no final do dia, o que custa mais, são as saudades dela e dele…