16 November 2011

Nobre Povo – Segunda Grande Guerra e Timor 1942

Apesar da neutralidade portuguesa durante a Segunda Guerra Mundial, muitos Portugueses lutaram pela liberdade da Humanidade, pela sobrevivência e pela vitória na guerra contra o eixo. Os feitos dos nossos diplomatas (como o Sr. Cônsul Aristides de Sousa Mendes, o Sr. Embaixador Carlos Almeida Sampaio Garrido e o diplomata Carlos de Liz-Teixeira Branquinho), ou de civis em Portugal que apoiavam activamente os aliados são, hoje, conhecidos.

Mas menos conhecidos são os casos de operacionais Portugueses nas diversas frentes desta guerra. Por exemplo, os próprios filhos do Sr. Cônsul Aristides de Sousa Mendes que desembarcaram na Normandia como soldados americanos. Ou os muitos Portugueses que viviam nos Estados Unidos e que lutaram contra o eixo na Europa, África e Pacífico.



Grupo de soldados Portugueses de S. José, Califórnia, que serviram na Segunda Grande Guerra (do livro The Portuguese in San Jose, Images of America)


Igualmente desconhecidos, mas mais impressionante por terem servido a defender território Português e Portugueses, são os homens e mulheres em Timor que lutaram contra os Japoneses. Entre muitos, um destes homens foi Carlos Cal Brandão, advogado deportado para Timor em 1931. Outro, foi o Tenente Manuel de Jesus Pires, Portuense e aluno da Faculdade de Ciências do Porto que, após ter servido no Corpo Expedicionário Português durante a Primeira Grande Guerra, casou com uma timorense e em Timor serviu como oficial. Estes heróis resistiram ao invasor e organizaram evacuações em massa de civis. Mais tarde, com um grupo de Portugueses e Australianos, o Tenente Pires foi ferido e preso pelas tropas japonesas, acabando por morrer na prisão. Cal Brandão ainda resiste com um pequeno grupo mas, mais tarde, acaba por ter que abandonar Timor com a Força Australiana Sparrow. Este grupo de Portugueses (de Timor e da Europa) acaba por integrar as forças armadas australianas e só voltaria para libertar Timor, em 1945.

No fim da guerra, segundo António Monteiro Cardoso, morreram entre 40 a 70 mil pessoas em Timor (cerca de 10% da população da ilha da altura). Um morticínio que o Tenente Pires e Cal Brandão tentaram evitar sacrificando a própria vida. Como documento histórico, temos a sorte de ter o diário do Tenente Pires, editado por António Monteiro Cardoso (Timor na 2.ª Guerra Mundial — O Diário do Tenente Pires, Lisboa, Centro de Estudos de História Contemporânea, ISCTE, 2007). Pode-se ler numa das suas passagens - "Caso não consiga o transporte rápido daqueles que em mim confiaram e me mandaram fazer este frete, regressarei de avião e lançar-me-ei de pára-quedas, pois jamais abandonarei à sua triste sorte aqueles que em mim confiaram, embora nisso arrisque a minha vida." Há, também, o livro "Funo ― A Guerra em Timor" de Carlos Cal Brandão mas, que nunca tive a oportunidade de encontrar.


Tenente Pires (fotografia do blog Uma Lulik)

Carlos Cal Brandão

Vasco Maria de Marcal (direita), "a Portuguese who had been of great assistance to the Australians of sparrow force during 1942"

Francisco Alberto, Chefe de Posto, que assistiu os Australianos da Sparrow a fugir dos Japoneses para as montanhas.

Francisco Palmeira “was of great assistance to Australians of Sparrow force who called him Chico

Mautasi, com o Chefe de Posto José Garrido, que foi alvejado e ferido pelos Japoneses

Destruição do Mindelo em Timor (1942)

Guerrilha em Timor (1942)

Guerrilha em Timor (1942)

Após a libertação, em 1945, José Eduardo de Abreu de Silva Marques (de óculos) conhecido pelas tropas australianas porque fornecia as posições das tropas Japonesas.

Francisco da Silva, Celestino dos Anjos e Alexandre da Silva (com oficial australiano) que por terem tido grande importância na resistência em Timor, foram integrados na Unidade Especial Z australiana

Fotografias e legendas do Australian War Memorial.

Mais uma vez, parece-me incrível que se saiba tão pouco destes heróis em Portugal...