11 June 2011

O eleitorado e o futuro da Democracia

Foi com grande emoção que ouvi na Califórnia, pela internet, o discurso do Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, Prof. Doutor António Barreto. Seria bom que os eleitores portugueses não só o ouvissem mas, também, comungassem da sua visão, que não se refere a orientações políticas mas, à honestidade, honestidade intelectual e exemplo dos dirigentes. Um discurso que não sublinha os grandes feitos portugueses havidos mas, mais importante, a responsabilidade a que estes grandes feitos nos obrigam - a nós, Portugueses...

É que como o Sr. Prof. Doutor António Barreto bem disse, já em 2009, “… Fizemos a democracia, mas não somos capazes de organizar a justiça. Alargámos a educação, mas ainda não soubemos dar uma boa instrução…”. Há que fazer melhor, já todos o sabemos, em especial na situação que vive, hoje, Portugal.

Mas, não são só os dirigentes, egoístas e desacreditados pelas suas acções, que tem que mudar. Quem tem que mudar é quem vota e este é o ponto central, a chave, para o futuro das democracias saudáveis. Caso contrario, a abstenção e o abandono da democracia será cada vez maior e o poder, tomado de assalto, continuará a ser detido pelos “tipos” que todos conhecemos até serem "libertados", inevitavelmente, por um qualquer "movimento popular".

O meu ponto é o seguinte - o modo de fazer política evoluiu mas o eleitorado não o suficiente. Por tal, o eleitorado tem a responsabilidade de amadurecer depressa e muito para poder sobreviver neste novo mundo, para continuar a Democracia saudável.

Após a presidência de Ronald Reagan iniciou-se algo sem precedência. Não falo do fim da Guerra Fria, de extrema importância, mas como o espectáculo e a forma ultrapassaram o conteúdo na política. A campanha de George H. W. Bush contra Dukakis, escolheu o Senador Dan Quayle para Vice Presidente para agradar à geração mais nova(!!!). Como disse o Senator John McCain, também Republicano, "I can't believe a guy that handsome wouldn't have some impact." E ainda na mesma campanha, liderada por Lee Atwater (ver Boogie Man), o reclame negativo "Revolving Door", é considerado como o factor predominante para a eleição de Bush (apesar do programa de prisioneiros na altura estar activo em 40 Estados e o próprio Ronald Reagan, como Governador da Califórnia, ter defendido o programa após alguns prisioneiros terem escapado e terem sido acusados de assassinatos). Ainda, mesmo antes das campanhas de Bush, há quem questione se o primeiro incidente do Golfo de Sidra, em 1981, em que foram abatidos dois caças líbios pela aviação naval norte americana, foi forçado para distrair os eleitores da aguerrida greve dos controladores aéreos que tinham acabado por ser despedidos pouco antes (mais de 11000 controladores). Seja como for, todos os políticos do Mundo adoptaram a nova forma de trabalhar, tão depressa como adoptaram os telepontos para os seus discursos, incluindo em Portugal...

A campanha política alterou-se e de forma eficiente - para ganhar votos, para eleger. As campanhas e o ambiente político não são feitos para o Pais ganhar mas para o político ganhar, claro esta e já se sabe. Mas, o problema é que nenhum eleitorado no Mundo evoluiu para estar preparado para tais campanhas e ambientes políticos e o eleitorado é, assim, completamente enrolado por esta maquina (ou é levado ou desiste de participar). Por tal, é fundamental que o eleitorado evolua, que tome consciência do “media bombardment” a que está sujeito e corte a direito nas questões importantes.

Por isso, foi com grande emoção que vejo outro homem, clarividente, sem medos, a dizer - que “o rei vai nu e vamos ao que interessa”. Espero que estes abanos ajudem a população a acordar do torpor e da desgraça, cada vez maior, a que continua a habituar-se.

Temos, como Portugueses e em honra de quem se sacrificou pelo nosso Pais, o dever de fazer melhor.