10 June 2011

Dia de Portugal

Neste dia em que estou longe, gostava de dizer que sinto falta do meu Sol, de ouvir a minha língua. Sinto falta da luz de Lisboa, de uma faixa azul numa casa branca sob o estio alentejano. Sinto falta do cheiro a maresia, da terra fresca pela madrugada. De um bom peixe à mesa, vinho verde ou tinto, amêijoas, cerveja ao por do Sol rodeado de amigos numa qualquer praia. Do riso sincero. Daquela vontade de ajudar tão portuguesa. De uma noite estrelada em Trás-os-Montes. Deste misto de liberalidade e desconfiança conservadora que nos define. Do sentimento de amar a sua terra e estar sempre pronto a partir. Das pedras da calçada. De sentir um grande bloco de granito sob a palma da mão ou a areia fina a escorrer entre os dedos. Da surpresa de dobrar uma esquina e encontrar a perfeição numa casa de aldeia perdida no centro de Lisboa. De perceber que o verde tem mil tons e que todos combinam com os azuis do céu e o carácter das pessoas. De saborear devagarinho cada momento, sentimento, som de uma língua tão rica e difícil. De subir uma montanha e olhar em volta e ver sempre uma paisagem tão diferente de montanhas, planícies, mar e praia, aldeias e campos, de gente que a transformou à custa de trabalho árduo. Do nosso sorriso. Neste dia que estou longe, sinto falta do meu país.