4 June 2011

Porque não voto amanhã

Tenho horror a não votar. Especialmente nesta altura complicada para o país, era importante que também os Portugueses que vivem fora do país dessem o seu contributo para escolher o Governo que vai ter a tarefa mais difícil dos últimos 30 anos.
No entanto há um obstáculo intransponível entre mim e o voto. Algo de tão inconsumeravelmente assustador que não me atrevo sequer a tentar. Um monstro que me provoca pesadelos só de mencionar o seu nome, qual Lord Voldermort do emigrante em Londres: o Consulado Português.
Todas as minhas tentativas de aproximação a esse medonho Adamastor resultaram em pesadelos Kafkianos, desde os dois anos de tentativas infrutíferas para simplesmente me registar no consulado (é preciso marcação, que não se conseguia obter de forma alguma), passando pela epopeia para arranjar documentos para a minha sogra voltar a Portugal após lhe ter sido roubada a carteira num autocarro (foi preciso ela entrar pelos serviços adentro quando um segurança voltou as costas), até ao momento final em que nos foi recusada documentação ao nosso filho recém-nascido porque o meu BI ainda dizia que estava solteiro (foi-me dito para voltar 3 meses depois porque "o sistema estava em baixo", e nós com viagem marcada para daí a uma semana).
Nada na minha vida me causou alguma vez tal sensação de impotência, insignificância, e revolta. Mais triste ainda é perceber que apesar das pessoas que lá trabalham serem todas geralmente simpáticas (com uma desonrosa excepção) as condições são de tal forma atrozes que nem sequer o mais bem intencionado dos seres humanos seria capaz de ser eficiente quando envolvido naquela máquina devoradora de boas intenções.
Por isso meus amigos, desisti. O meu voto é importante mas não vale o suficiente para eu tentar novamente encarar aquele campo de refugiados em que reina a burocracia mais medonha que já enfrentei. Tentei e perdi.