2 November 2011

Homenagem a Ressano Garcia e o modo estalinista da República Portuguesa

Nos próximos dias, a Câmara Municipal de Lisboa vai realizar uma série de eventos para comemorar o centenário da morte do Engenheiro Frederico Ressano Garcia. Poderão observar que se trata de um programa extenso promovido pela Hemeroteca Digital da CML, com conferências, exposições, disponibilização de conteúdos digitais, etc. Fico feliz por tal pois, para além de ter sido um engenheiro visionário que me parece merecer tal homenagem de Lisboa, era o meu Trisavô. Só posso ficar agradecido, eu sei. E, fico profundamente grato por tal homenagem.


Todavia, tenho um pequeno amargo de boca... Não encontrei nenhuma referencia ao "Ressano" monárquico... Pergunto-me porquê, se mesmo a actividade política dele faz parte do programa? Será que querem esconder a maldade que a CML republicana de 1910 fez, quando o "Ressano" estava moribundo e doente, em casa, e uma comissão de cidadãos republicanos da CML foi comunicar ao doente que tiraram o nome dele da Avenida que ele tinha feito (para ser Avenida da Re
pública) dando-lhe um desgosto inútil e maldoso no fim da vida? Ou que os republicanos, mais tarde, mataram-lhe o filho que estava com a gripe pneumónica, por o terem prendido e deixado ao frio, até entrar em coma e morrer? Ou será que só querem evitar que se possa saber que um grande homem também pode ser monárquico e dizer abaixo a República?

Por exemplo, creio que ninguém nega que houve um regicídio, onde mataram o Rei e o Príncipe Herdeiro, em 1908 em Lisboa. Também, creio que ninguém nega o enorme impacto deste acto na nossa História. Mas, deixa-me profundamente inquieto que a carruagem do regicídio, impressionante por estar "esburacada" pelas balas e ser um elemento "vivo" do acontecimento, tenha sido enviada para o canto mais escuro do Paço Ducal de Vila Viçosa. E, só por explicação dos guias, se descobre que a carruagem foi ali escondida...

Até ao Senhor Cônsul Aristides de Sousa Mendes, que só foi homenageado em Portugal depois de todos os outros países o terem feito, a nossa República omite, de forma sistemática, que era um monárquico e católico convicto.

Na verdade, parece-me, tal como o ditador da antiga União Soviética, que a nossa República tenta apagar da História o que menos lhe interessa.

Mas aqui vos digo, o Engenheiro Frederico Ressano Garcia era monárquico e achava que a República era uma "treta horrível" para Portugal... Ele era um visionário...